Alunos da Universidade Malaya de Kuala Lumpur aprendem Português e procuram raízes portuguesas em Malaca

A propósito dos 500 anos da chegada dos Portugueses a Malaca

Dr.ª Cristiana Casimiro e Dr. Jamian

Integrado no intercâmbio que temos mantido com a Malásia, reproduzimos um texto, gentilmente elaborado por solicitação nossa, sobre uma visita de estudo a Malaca, organizada pela Leitora de Português do Instituto Camões, Dr.ª Maria Cristiana Casimiro, que lecciona a Língua Portuguesa na Universidade de Kuala Lumpur.

Os alunos que frequentam as aulas de Língua Portuguesa, de nível 1 e 2, deslocaram-se à cidade de Malaca, nomeadamente ao Bairro Português, para conhecerem os vestígios que revelam o passado histórico de origem portuguesa daquela cidade e para contactarem com os luso-descendentes, que tentam preservar a língua e as tradições lusas naquele país do continente asiático.

É com agrado que aqui damos conta dessa visita e do interesse pela língua e pelas tradições de origem portuguesa. Agradecemos aos alunos da Malásia e em especial à Dr.ª Cristiana Casimiro, que connosco tem colaborado, e manifestamos a nossa disponibilidade para com ela continuar a colaborar, naquilo que nos for possível e solicitado.

Pelo Clube Raízes

A professora

Madalena Canas

VISITA DE ESTUDO A MALACA

Os alunos de Português em frente da porta de Santiago da antiga Fortaleza Portuguesa de Malaca – A Famosa

No passado dia 5 de Março, os dois professores de Português da Universidade Malaya, (neste momento, o Jamian não está a leccionar, mas sim a preparar a sua tese de Doutoramento) levaram 60 alunos e 5 outros funcionários, numa visita efectuada à cidade de Malaca, mais particularmente ao Bairro Português.

A visita foi patrocinada pela faculdade, que cedeu um autocarro de 40 lugares (a comitiva incluís mais 5 carros particulares) e pagou metade das despesas relacionadas com o almoço geral e a apresentação de um dos grupos culturais do Bairro (os outros 50% foram a minha oferta para os meus alunos).

Esta iniciativa partiu, ‘curiosamente’ da ideia de um dos alunos do nível 2, o Ruzaini Fikri (estudante do Bacharelato de História) que, em Janeiro, me disse: ‘Cristiana, este é o ano da comemoração dos 500 anos! A embaixada não vai fazer nada?!’. Tive de lhe dizer (mais uma vez…) que não há embaixada de Portugal na Malásia, só um consulado honorário. Mas, este extraordinário nível 2 concluiu que, nós mesmos, poderíamos organizar uma viagem a Malaca, incluída nestas comemorações.

Bem-vindo ao Bairro Português de Malaca

A ‘pretexto’ dos 500 anos da presença portuguesa em Malaca, iniciámos as cartas e os pedidos de ajuda para este viagem que, de pronto, foram recebidos pela chefe de departamento e pela decana com entusiasmo e logo promessas de ajuda.

Dos 116 alunos que frequentam as minhas 5 turmas de português, este ano, 60 quiseram registar-se, alguns outros tiveram imensa pena, mas não poderiam mesmo ir.

No sábado, dia 5 de Março, antes das 8 da manhã, já se encontravam imensos alunos e outros carros, em frente à nossa faculdade. Foram distribuídos os lanches, os alunos assinaram o documento relativo ao seguro de viagem, e partimos, em grande animação.

As expectativas eram muitas, todos falavam da viagem… O engenheiro dos audiovisuais da Faculdade (que já nos tinha acompanhado na viagem a Malaca para subir à Sagres, e da qual existe um vídeo) também nos acompanhou desta vez, e, ainda durante a viagem, entrevistou várias alunos, para saber do que eles esperavam do dia e porque se tinham juntado à viagem. Podia sentir-se que estavam todos muito entusiasmados.

Eu tinha preparado fotocópias de algumas canções nossas, com as respectivas traduções. Então, durante a viagem, cantámos, muito animadamente, a ‘Tia Anica’, ‘Oh Malhã, Malhão’, ‘É uma casa portuguesa, com certeza’ e ‘Jingli Nonya’, uma canção muito conhecida da comunidade portuguesa de Malaca. Era um ambiente de festa.

Chegámos a Malaca (depois de uma curta paragem na auto-estrada) pouco antes das 11 horas e ainda fomos visitar a ‘Porta de Santiago’, subir à Igreja de São Paulo, ver as ruínas da Fortaleza e da catedral que os portugueses construíram em 1511. O Ruzaini Fikri, aluno de História e a participar num projecto que envolve a comunidade portuguesa de Malaca, ajudava-nos a explicar certas coisas, a história, a chegada dos portugueses, apontava o túmulo de São Francisco Xavier e contava uma das lendas que o povo conta aqui (quando ele perdeu o crucifixo, no meio duma tempestade, e este apareceu mais tarde nas costas de um caranguejo – ainda hoje, os descendentes de portugueses, pescadores na sua maioria, não comem este tipo de caranguejo)…

Grupo folclórico do Papa Joe

Já era hora de ir para o bairro, porque tudo estava preparado, à nossa espera. O Regedor, Sr. Peter Gomes, o número 2 do painel do regedor, Sr. Michael Banerji, ajudaram a preparar tudo. Em primeiro lugar, todos visitámos o museu do bairro, e as explicações foram dadas por estes dois senhores. Entretanto, tudo estava preparado no restaurante do Papa Joe, onde iríamos almoçar e assistir à apresentação do grupo cultural do mesmo Papa Joe. A ementa já tinha sido previamente combinada entre nós, e teria de incluir as comidas tradicionais da comunidade: O Caril do Diabo e ‘o Peixe Português’. Havia também saladas, entradas e outros petiscos.

Fomos servidos, às mesas, por membros do mesmo grupo cultural, e eles já estavam trajados, o que dava muito mais colorido à sala em que estávamos todos.

Logo que acabámos de comer os pratos principais, começou a apresentação e aí, muitos se levantaram, prepararam as máquinas fotográficas e de filmar, aplaudiram e bateram imensas palmas, durante toda a apresentação. Por duas vezes fomos todos dançar e cantar com eles, e eu podia ver, nos rostos dos meus alunos, o quão contentes eles estavam, e como tinha sido uma novidade para eles, esta visita, aperceberem-se ali mesmo de que, afinal, havia mesmo uma comunidade de descendentes portugueses em Malaca; Eu tinha falado muitas vezes disso, nas aulas, mas… E ali eles puderam vê-los a cantar em Português, a dançar as nossas danças, e sentiram o orgulho que aquelas pessoas sentem, quando se apresentam como portuguesas da Malásia.

Depois da apresentação, houve ainda uma altura para perguntas e respostas, qualquer tema de que um dos visitantes quisesse conversar acerca do bairro e da comunidade.

Quase às 3 horas da tarde, fomos dar um passeio pelo Bairro, e o sr. Michael Banerji ia explicando a importância de determinados locais, do sino (que toca sempre que é preciso anunciar algo, e que tem um código, informando imediatamente parte do que se passa ou acontece e chamando a uma concentração), a casa original do bairro, etc.

Antes de regressarmos, fomos ainda aproveitar um pouco da brisa agradável que se sentia junto à costa, aproveitámos para tirar imensas fotografias, trocar contactos entre todos e, aos poucos e poucos, fomo-nos preparando para a viagem de regresso. Estava todos satisfeitos e eu, sobretudo, muito satisfeita, com a sensação de que o passeio tinha corrido bem, talvez até melhor do que tinha previsto – com a sensação do dever cumprido, depois da responsabilidade que foi levar todos a Malaca.

Às quatro e meia iniciámos a viagem de regresso a Kuala Lumpur e, às seis e meia da tarde, chegámos ao Campus, de onde havíamos partido. Para os alunos de nível 1, a viagem acabou e ficou a memória de tudo, para os de nível 2 também, mas eles sabem que ainda vão ter de escrever uma composição sobre este dia…

Ao saberem do sucesso da nossa visita, membros da direcção desta faculdade manifestaram o interesse de, em breve, repetir uma viagem assim, e levar mais professores e funcionários – o que tentaremos fazer, com novos alunos, novos colegas e funcionários. No dia da ‘Semana Internacional’, aqui, os nossos alunos apresentaram, com muito entusiasmo, as canções aprendidas na viagem e participaram na nossa exposição. Agora, quase no fim do semestre, só falta acabar o livro e preparar os teatrinhos para os exames orais, o que todos estão a fazer, em grupo e no meio de grande alegria e criatividade.

Voltaremos a Malaca, sempre, é claro! Em Português!

 A professora

Maria Cristiana Casimiro

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Clube de Divulgação e Defesa do Património
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