Profissões de antigamente

Propusémos aos alunos do Clube Raízes que procurassem algo sobre profissões que, no passado, tiveram alguma importância no emprego da população das áreas onde residem e mesmo dos seus antepassados familiares.

A recolha que aqui se apresenta teve como base dados conhecidos pessoalmente pelos alunos e aquilo que investigaram na Internet, pois muitas dessas profissões já praticamente desapareceram ou estão em vias de desaparecer.

Usámos ainda a obra “Paião”, da autoria do Paionense Eurico Silva, editada pela Junta de Freguesia do Paião em 2005.

Participaram neste trabalho os alunos Andreia, Fátima, Ivan, José, Margarida, Rafaela, Rita, Sérgio, Tânia, Tiago, do 9.º A.

 O alfaiate

Homenagem ao Alfaiate – Paião (foto de Madalena Canas)

 Alfaiates são profissionais que desenham, cortam, costuram e reformam roupas. Actualmente há os que trabalham como autónomos, atendendo clientes em casa ou costurando peças por encomenda, e os que são empregados de indústrias de confecções, nas linhas de montagem de roupas. Podem ainda trabalhar em lojas, efectuando consertos, alargando ou ajustando as peças prontas ao corpo do cliente, ou na confecção de figurinos para espectáculos. Já os alfaiates tradicionais têm seu próprio ateliê.

Monumento ao Alfaiate - Paião (foto de Madalena Canas)

 O Paião, sede da freguesia onde se localiza a escola E.B. 2,3 Dr. Pedrosa Veríssimo, é conhecido como “A terra dos Alfaiates”. Na verdade, essa profissão, da qual restam hoje poucos representantes, foi durante muito tempo crucial na vida da população paionense e, nos fins do século XIX e primeira metade do século XX, ocupava uma parte importante dos paionenses, quer de homens (alfaiates e aprendizes), quer de mulheres, as costureiras. Muitas vezes era ao domingo,  à porta das igrejas, que o alfaiate arranjava a freguesia, deslocando-se de bicicleta até localidades relativamente distantes.

“Desde cedo, a actual vila foi capaz de se libertar da dependência do sector agrícola. Em meados dos anos 60, o Paião, então com cerca de mil habitantes, já dispunha de seis dezenas de automóveis, na sua maioria carros ligeiros. Pertenciam, em grande parte, aos quase trinta proprietários de alfaiataria que, aos sábados e domingos, num raio de 50 quilómetros, procuravam clientes nos concelhos de Soure, Figueira, Pombal, Leiria e Marinha Grande.”

“A alfaiataria, que nos anos sessenta e princípio de setenta chegou a contar com mais de trinta oficinas em toda a freguesia, constituía o fulcro da economia local. Organizada em pequenas empresas semi-familiares, propiciava lucros e criava emprego, tanto a rapazes como a raparigas.”, (Silva, E., 2005, p.138).

O sapateiro

Sapateiro (imagem internet)

O sapateiro é um profissional que conserta, fabrica, e faz diversos trabalhos na área de calçado. Na sua grande maioria a matéria-prima é o couro, que é utilizado para confeccionar ou consertar os calçados.

O sapateiro é uma das profissões antigas que conseguiram evoluir com os tempos, apesar de muitos terem desaparecido com o alargamento da indústria do calçado e da compra dos sapatos no sistema de pronto a vestir. Assim, o sapateiro actualmente deixou de ter a função de fabricar o calçado, mantendo-se somente com reparador de sapatos e botas em pequenas oficinas, bem como de diversos acessórios utilizados por qualquer pessoa como: bolsas, carteiras, cintos, jaquetas, etc.

Ao mesmo tempo que proliferavam os alfaiates no Paião, sobretudo ao longo da primeira metade do século XX, crescia também a sapataria, marcando a sua importância na economia local. A esta actividade juntou-se, mais tarde, a tamancaria, com a vinda de artífices do Norte do País.

Hoje restam apenas alguns sapateiros, que não fazem sapatos, apenas os consertam.

O ferreiro  

Monumento ao Ferreiro – Carvalhais – Lavos

O Ferreiro era uma pessoa que criava objectos de ferro ou aço “forjando” o metal, ou seja, através da utilização de ferramentas como fole, bigorna, martelo, dobra e corta, e de outra forma moldá-la na sua forma não-líquida.

Esta profissão foi largamente utilizada no século XIX, tendo-se mantido ainda, nalguns casos, ao longo do século XX. Actualmente está em vias de extinção.

Na freguesia do Paião (Copeiro) e nos Carvalhais (freguesia de Lavos) a actividade de ferreiro marcou também a sua importância, sobretudo na criação e conserto de ferramentas destinadas aos trabalhos agrícolas e outras.

O amola – tesouras

O Amola-tesouras numa passagem pelo Paião (foto de Madalena Canas)

O amolador, que antigamente era também reparador de chapéus-de-chuva, exercia a sua actividade de uma forma ambulante, transportando-se na sua bicicleta, adaptada com as “máquinas” e ferramentas próprias para  a execução dos serviços de amolar facas, tesouras e outros instrumentos de corte. Modernamente, ao longo do século XX, os amoladores urbanos estabeleceram-se em oficinas, muitas vezes localizadas dentro do recinto de grandes espaços comerciais. Estes comércios têm uma dupla função, tanto lugar de trabalho para o amolador de ferramentas de corte como ponto de venda das mesmas.

A bicicleta do amola-tesouras (foto de Madalena Canas)

Embora raro, ainda é possível, de quando em vez, ouvir no Paião o apito do amolador, a atrair a clientela.

 

 

 

 O tanoeiro

Tanoeiro (imagem internet)

Os tanoeiros ganhavam a vida na construção dos pipos de vinho e das tinas para a vindima. Estas vasilhas eram feitas em madeira com arcos de ferro em volta. Esta actividade hoje já não se pratica na nossa região, pois já são poucos os que continuam a produzir vinho.

 

 

Pescador tradicional da Leirosa 

Bois a puxar a Rede (imagem internet)

Na Praia da Leirosa (freguesia da Marinha das Ondas), até há bem poucos anos, mantinha-se a pesca tradicional “Arte Xávega”, em que a rede era puxada com a ajuda de juntas de bois que vinham de localidades vizinhas.  Actualmente as redes já não são puxadas pelos bois (pois também já não existem agricultores que continuem a usar os bois nos trabalhos agrícolas) mas sim pelos tractores.

Barco tradicional da Leirosa (imagem internet)

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Sobre clube11raizes

Clube de Divulgação e Defesa do Património
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13 respostas a Profissões de antigamente

  1. luisa Timóteo diz:

    Louvável a ideia, quando voltarmos ao Paião acrescentamos outras profissões que se publicaram recentemente através da camara municipal de Torres Vedras, da autoria de António e Maria do Rosário, ambos nascidos no Amial a 4 Km da cidade de Torres Vedras.
    Vão gostar de certeza.
    Parabéns ao Clube Raízes de quem gostamos muito.

    • Obrigada, D. Luísa Timóteo.
      Com certeza que vamos gostar da contribuição de Torres Vedras.
      Um abraço do Paião, para si, para a Associação Cultural Coração em Malaca e para todos os que trabalham para a preservação da Língua, do Património e da Cultura de Raízes Portuguesas.
      Clube Raízes

  2. liliana costa diz:

    Estas profissões não deviam desaparecer.

  3. Edson diz:

    GOSTEI… MUITO BOM, PARABÉNS!!!

  4. maria barroso de sousa diz:

    gostei muito acho que essas profissoes não deveriam desaparecer ate porque sao bem legais

  5. Sharon Gonçalves diz:

    Eu gostei muito , eu vou por no meu trabalho escolar e esperar ter uma boa nota espero que vocês não parem de fazer o que fazem, muito obrigada por ajudarem-me no meu trabalho,
    bjs

  6. Maria sophia diz:

    GOSTEI MUITO. Que bom que agora já sei em quem confiar para deveres e pesquisas.

  7. jula diz:

    isso ajudou no trabalho da minha escola

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