Fernando Pessoa nasceu há 123 anos

Lembrando Fernando Pessoa

Foi a 13 de Junho de 1888 que nasceu Fernando Pessoa, vulto maior das letras portuguesas. Em jeito de pequena homenagem no dia em que faria 123 anos, aqui ficam alguns poemas e também o que pensava sobre si próprio e sobre a criação dos seus heterónimos. Mais abaixo a tradução de um poema de Pessoa ” Passos da Cruz – XI” para o Português de Malaca, efectuada pela bolseira do Instituto Camões e elemento da Associação Cultural Coração em Malaca Cátia Candeias. Também o poema “O Mostrengo”, dito pelo actor Sinde Filipe. 

 “…Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.) Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida-real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.”, (Carta a Casais Monteiro, 13-01-1935).
FERNANDO PESSOA
PASSOS DA CRUZ – XI

Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela
E oculta mão colora alguém em mim.
Pus a alma no nexo de perdê-la
E o meu princípio floresceu em Fim.

Que importa o tédio que dentro em mim gela,
E o leve Outono, e as galas, e o marfim,
E a congruência da alma que se vela
Com os sonhados pálios de cetim?

Disperso… E a hora como um leque fecha-se…
Minha alma é um arco tendo ao fundo o mar…
O tédio? A mágoa? A vida? O sonho? Deixa-se…

E, abrindo as asas sobre Renovar,
A erma sombra do voo começado
Pestaneja no campo abandonado…

A tradução para Português de Malaca.

PASSOS DA CRUZ –XI
FILU DI SKADA NE CRUZ – XI 

Nang falah yo keng. Yo ungwa tela
Keng se klor di mang skundidu ne yo
Yo se alma kum yo te pedre
Yo masanti se ne mundu ki nadi kabah, nadi teng ponta.

Keng dibey yo se disgostadu ja fikah friu duru,
Kum akeli Otornu lerbi, kum selibra, kum mapim,
Kum akeli tamanyu di alma ki se kandia
Chuma akeli kanopi te sunya kum setin

Pinchadu… kum chuma tempu abana te Pitchah …
Yo se alma mizura ne fundu di mar
Disgostadu? Dueh korsang,infadu,tristi ? Akeh bida, sonu? Nang dibey…

Kum, abrih akeli aza ne nubu,
Ensong sombra ja komersa abua
Bira olu ne barzing ki ja largah…“

 Tradução de Cátia Candeias e da Comunidade Portuguesa de Malaca, Agosto de 2010.

Para ver o Jornal Papia Português com a tradução do poema clique aqui.

 

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