Mosteiro de Santa Maria de Seiça – urgente intervir contra a morte lenta

“O nível cultural de um país avalia-se não pelo património que tem mas pelo modo como trata dele”, Dr. Francisco Pato de Macedo

Nos passados dias 7 e 8 de Julho, decorreu na Casa do Paço na Figueira da Foz, por iniciativa da Câmara Municipal, o Encontro “Mosteiro de Santa Maria de Seiça: Abordagens e Perspectivas”, inserido nos Encontros de Cultura e Património.

Com mais de uma centena de participantes, e diversas intervenções, de especialistas das áreas da história, da engenharia, da arquitectura, do património, foi feita uma abordagem à história deste Mosteiro da Ordem de Cister, cuja construção inicial remonta ao século XII e que constitui um dos monumentos mais antigos do concelho da Figueira da Foz.

Os especialistas foram unânimes em considerar que este mosteiro é uma jóia de valor incalculável e que, há muito, deveria ter recebido obras de reabilitação, que impedissem a tão grande degradação em que se encontra.

Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o mosteiro foi vendido e adquirido por particulares, que passados alguns anos nele instalaram uma fábrica de descasque de arroz, como comprova a alta chaminé, na qual fazem ninhos as cegonhas. Desta função industrial do mosteiro, para além da chaminé, pouco resta. Em 1976 foi abandonada a actividade de descasque de arroz e o mosteiro, que já desde o século XIX se encontrava degradado, cada vez viu aumentar mais o seu estado de abandono e de degradação.

No cimo das torres há muitos anos que nasceram e cresceram oliveiras que, dando-lhe um ar insólito, contribuem para o aumento da ruína, já que as suas raízes se encontram entranhadas na pedra, fazendo-a desligar. O mesmo acontece com as ervas e arbustos que proliferam por todo o lado.

O Engenheiro Vasco Appleton, indicou os pontos de maior risco e onde a intervenção é mais urgente: fracturas, descarnamento de estruturas que deveriam estar cobertas, infiltrações de água que a passos largos levam este mosteiro à degradação contínua, corte das oliveiras e intervenção nas ervas. Veja-se o estado miserável em que se encontra o telhado que, na parte da igreja, praticamente já não existe.

Uma das propostas dos alunos de arquitectura

Aos alunos de arquitectura, da Escola Universitária das Artes de Coimbra, sob a orientação do professor Carlos Figueiredo, foi proposto elaborarem projectos para a intervenção no Mosteiro de Santa Maria de Seiça, no sentido de o reabilitar. Foi assim que surgiram interessantes propostas, mantendo a traça original e indo para além disso, na criação de espaços  novos para possíveis utilizações e fruição da “solidão e do silêncio” de Seiça. Na opinião deste professor e dos seus alunos, construir em Seiça uma academia de música “Seiçamusic”, seria uma ideia muito interessante.

Inês Pinto e Sílvio Gaspar, apaixonados pelo mosteiro, apresentaram uma reconstituição virtual, mostrando como seria o mosteiro de Santa Maria de Seiça no século XIX.

Simultaneamente ao Encontro esteve patente a exposição de fotografia “Seiça: Mosteiro esquecido”, do GAFA, grupo de amigos fotógrafos amadores.

 O Mosteiro de Seiça, actualmente património da Câmara Municipal da Figueira da Foz e Imóvel de Interesse Público desde 2002, já deveria ter sido reabilitado há muito tempo. Não foi. Não há tempo a perder, caso contrário a ruína total será uma evidência e perder-se-á uma parte significativa da história da freguesia do Paião, do concelho da Figueira da Foz, de Portugal e da Ordem de Cister. É isso que não queremos.

Queiramos que este Encontro tenha sido o 1.º passo para a reabilitação do Mosteiro de Santa Maria de Seiça, que as populações locais tanto prezam e lamentam o seu estado de abandono. Esperemos que haja uma intervenção urgente e que surjam interessados nesta obra, que bem poderá ser um motivo de atracção turística, que poderá ajudar a promover o concelho da Figueira da Foz.

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Sobre clube11raizes

Clube de Divulgação e Defesa do Património
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11 respostas a Mosteiro de Santa Maria de Seiça – urgente intervir contra a morte lenta

  1. Rosa Barros diz:

    Está óptimo. Podes continuar.
    Bjs Rosita

  2. Eugénia diz:

    Uma única palavra, espetacular.
    Bjos
    Eugénia

    • Obrigada, Eugénia.
      Temos de divulgar… Este mosteiro faz parte da história do concelho da Figueira da Foz e da nossa própria história… Foi nosso companheiro durante muitos anos… É triste vê-lo no estado em que se encontra.
      Bjs,
      Madalena

  3. Paula diz:

    Parabéns, não só pelas fotos mas também pela música escolhida.
    Perfeito!!!!

    • Obrigada, Paula.
      Queiramos que os nossos esforços, mesmo que pequenos, contribuam para a reabilitação do mosteiro e da nossa história local. É importante alertar para aquilo que faz parte da nossa identidade. A nossa escola estará sempre lá, através dos nossos alunos, que vamos ensinando, e da nossa própria convicção.
      Madalena

  4. Luisa Timóteo diz:

    A frase que o Clube Raízes argumenta acerca do património, diz tudo. O mais que se possa acrescentar já não tem peso.

    Assim devemos decorar e passar

    O nível cultural de um país avalia-se não pelo património que tem mas pelo modo como trata dele
    “Dr. Francisco P. de Macedo”

    Parabéns pelo trabalho em prol do património

    Um abraço forte
    Luisa Timóteo

  5. guida martins diz:

    Muita história, riqueza, arte, cultura e beleza, não pode ser esquecida e destruída! Precisamos ajudar na restauração e manutenção da história de um Povo!!!!!!

  6. Renato Paulo F Paz diz:

    Fiquei simplesmente encantado com o mosteiro de Santa Maria De Seiça do Paião e em simultâneo triste. Muito triste! Descobri-o por acaso perdido com um GPS.

    • Pois é, Renato! É uma imagem do País que temos… De que tanto gostamos mas onde as pessoas com responsabilidades parecem esquecer que é importante preservar aquilo que nos formou e identifica como povo e como País. Vamos fazendo por lembrar… e esperar melhores dias. Obrigada,
      Madalena Canas

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