Malaca 500 anos – Portugal ao longe

(Photography by: Antony D’Cruz) 

Comemoram-se este ano os 500 anos da conquista da cidade – entreposto comercial – de Malaca, na Malásia, pelas forças portuguesas, comandadas por Afonso de Albuquerque.

Malaca, do outro lado do mundo, no continente asiático, apesar da grande distância a que se encontra de Portugal, mantém uma comunidade de origem portuguesa que tenta manter vivas as raízes lá deixadas desde o século XVI.

É grande o amor que esta comunidade nutre por Portugal, traduzido na manutenção dos nomes portugueses, comuns na maior parte destas famílias, e de mostrar aos outros, através das canções e das danças de influência lusa, da prática do catolicismo, da transmissão familiar da língua portuguesa localmente falada, preservada desde o tempo de Albuquerque. A origem portuguesa é, para esta comunidade, um orgulho que pretendem manter.

As comemorações tiveram o seu ponto alto nos finais de Outubro, com atividades diversas onde prevaleceu a ligação histórica, cultural e religiosa a Portugal. Nelas esteve presente o Cónego António Rego, que além de participar na missa, ofereceu à comunidade uma imagem da padroeira de Portugal, Nossa Senhora da Conceição.

Reproduzimos aqui as palavras de António Rego sobre a sua participação nas comemorações em Malaca, publicadas no site da Agência Ecclesia e também no semanário figueirense “O Dever”, de 10 de novembro. 

Portugal ao longe

Mesmo sem se entender a língua, ou falando um português do tempo de Afonso de Albuquerque, há um povo que aí encontra a sua identidade, a venera, reza e ama com um enternecimento comovedor

500 anos não são nada na história. Andar 12 mil quilómetros de avião aos solavancos, chegar a um lugar, ver uma pequena fortaleza, dois barquinhos a percorrer a cidade como se fossem duas imagens de santos, os jovens numa correria para os acompanharem, alguns mais tisnados, junto ao mar a cantar melodias portuguesas tão distantes do original nas palavras como nas melodias, as casas marcadas por uma cruz, o bairro conhecido tanto como português, como cristão, faz, a quem chega, ainda que não seja pela primeira vez, estremecer de emoção por o povo a que pertence ser o mesmo que ali vive naquele bairro simples de pescadores.

Não sabem o nome do presidente da República nem do Cardeal-Patriarca de Lisboa, mas sentem-se transportados a uma origem que sendo, para um recém-chegado igual ao resto do povo de Malaca, traz um registo indefinido de fé e portugalidade próximos e naturais sem a mais pequena discussão sobre o laicismo, separação de poderes, profano e sagrado, passado e presente. Sabe-se que, mesmo sem se entender a língua, ou falando um português do tempo de Afonso de Albuquerque, há um povo que aí encontra a sua identidade, a venera, reza e ama com um enternecimento comovedor.

Expliquei que a imagem de Nossa Senhora de Fátima é a mais conhecida do mundo. Mas a que os portugueses agora lhes ofereceram é de Nossa Senhora da Conceição, foi coroada por um rei português e é a nossa padroeira. Foi um grupo de quinze jovens portugueses do ensino superior que levou o bandolim, a guitarra, o traje, a voz, um sorriso doce com um imenso respeito e dignidade, que acordou no coração dos presentes não apenas uma casa portuguesa, mas um povo lá dentro, com uma identidade para além do fado.

“Aqui sou mais do que eu”, diria Pessoa. E nada disto foi de organização burocrática. Aconteceu pela sensibilidade de quem cá passou e se apercebeu que por vezes, quanto mais longe se está mais se ama Portugal. E a fé que o integrou e integra, mudados os tempos e as vontades.

António Rego

e veja também:

http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=87938

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