O Terramoto de 1755 e a Real Barraca

O Terramoto

Na manhã do dia 1 de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos, quando muitos se encontravam nas igrejas a assistirem à missa, a terra tremeu violentamente, destruindo cerca de 50% da cidade de Lisboa.

“Pelas 9 horas e 40 minutos, depois de um grande ruído subterrâneo que aterrorizou toda a gente, a terra teve um primeiro abalo, vertical, depressa seguido por outro, horizontal, no sentido norte-sul. Os dois abalos não duraram mais de um minuto e meio, mas, depois de um minuto de intervalo, um novo abalo, mais violento, prolongou-se durante dois minutos e meio, e logo um terceiro durou mais três minutos. Entre o segundo e o terceiro abalos houve ainda um minuto de intervalo. Durante esses nove minutos, o rumor subterrâneo foi ouvido sem interrupção. O céu ficou escurecido pelos gases sulfúricos exalados pela terra (notaram-se fendas compridas e estreitas nas ruas) e sobretudo pela poeira, que tornava a atmosfera irrespirável. Ao mesmo tempo as águas retiraram, deixando ver o leito do rio – para se precipitarem em seguida, em enormes vagas que varreram o Terreiro do Paço e as ruas e os terrenos próximos das margens. (…) Em seguida, houve um incêndio que durou cinco a seis dias, e que completou a obra do terramoto.”

O terramoto, o maremoto e os incêndios que se lhes seguiram, causaram milhares de vítimas, para além da destruição do Paço Real da Ribeira, da Casa da Índia, de igrejas e conventos, do Hospital de Todos os Santos, do Teatro da Ópera e de diversos palácios. Igualmente ficaram destruídos bibliotecas e arquivos, obras de arte, mobiliários únicos, etc.

O terramoto causou pânico por todo o país, e teve também enorme repercussão no estrangeiro.

A Real Barraca

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O rei D. José I (1714 – 1777) e a família real, que passara a noite em Belém, foram poupados. O monarca, receando a ocorrência de novos sismos, decidiu que, até ao fim dos seus dias, jamais viveria debaixo de tetos de pedra, mandando erguer um palácio de madeira e materiais leves, o Real Paço de Nossa Senhora da Ajuda, edificado  no alto da Ajuda. Construído em madeira para melhor resistir a abalos sísmicos, ficou conhecido por Paço de Madeira ou Real Barraca.  Este novo Paço, foi a residência da Corte durante cerca de três décadas, até que em 1794, no reinado de D. Maria I (1734-1816), um incêndio o destruiu por completo, bem como a grande parte do seu valioso recheio.

Fontes: Carneiro, Roberto – Memória de Portugal, O Milénio Português, Círculo de Leitores, p. 392; Amaral, Domingos – Quando Lisboa Tremeu (Romance), ed. Leyahttp://www.palacioajuda.pt.
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2 respostas a O Terramoto de 1755 e a Real Barraca

  1. MARIA DE jESUS diz:

    Gostei muito que colocasse este tema !Fez-me lembrar a expressão “cai o Carmo e a Trindade!

    • Obrigada! Sim, “cai o Carmo e a Trindade”…
      O terramoto é um dos assuntos mais procurados no blogue, quer por nacionais, quer por brasileiros. Marcou bastante o país e a Europa. Vá partilhando. Volte sempre!

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