1 de novembro de 1755 – Terramoto em Lisboa

Passam 256 anos sobre o violento terramoto que atingiu a cidade de Lisboa no dia 1 de novembro de 1755. Recordamos esse acontecimento através das palavras de Maria Luísa B. Paiva Boléo.

Ruínas do Convento do Carmo - Lisboa

 “(…) O terramoto teve início às 9 horas e 40 minutos do Dia de Todos os Santos, 1 de Novembro de 1755. A terra tremeu três vezes, num total de 17 minutos, e, durante vinte e quatro horas, a terra não deixou de estremecer.O sismo teve o epicentro no mar, a oeste do estreito de Gibraltar, atingiu o grau 8,6 na escala de Richter e o abalo mais forte durou sete intermináveis minutos. Por ser Sábado, acorreram mais pessoas às preces. As igrejas tinham os devotos mais madrugadores. Só na igreja da Trindade estavam 400 pessoas. Se os abalos tivessem começado mais tarde, teria havido mais vítimas, pois os aristocratas e burgueses iam à missa das 11 horas. Depois dos abalos, começaram as derrocadas. O Tejo recuou e depois as ondas alterosas tudo destruíram a montante do Terreiro do Paço e não só. Era o fim do mundo!
             Os incêndios lavraram por grande parte da cidade durante intermináveis dias. Foram dias de terror. As igrejas do Chiado e os conventos ficaram destruídas. A capital do império viu-se em ruínas, já para não falar de outras zonas do país, como o Algarve, muitíssimo atingida pelo sismo e maremotos subsequentes. Do Convento do Carmo, construído ao longo de mais de trinta anos e terminado, provavelmente, em 1422, com o empenho e verbas do Condestável Nuno Álvares Pereira, sobrou um amontoado de ruínas. Na voragem do terramoto de 1755 desapareceram cinquenta e cinco palácios, mais de cinquenta conventos, a Biblioteca Real, vastíssima em livros e manuscritos e as livrarias (como sinónimo de bibliotecas) dos conventos de S. Francisco, Trindade e Boa Hora. As chamas reduziram a cinzas milhares de livros em cinco casas de mercadores de livros franceses, espanhóis e italianos, e em vinte e cinco – contadas por Frei Cláudio da Conceição – lojas e casas de livreiros. Um jovem inglês de apelido Chase, que presenciou tudo, escreveu numa carta á família: «Porque o povo possuído da ideia de que era o Dia do Juízo, e querendo-se antes empregar em obras pias, tinha-se sobrecarregado de crucifixos e santos, e tanto os homens como as mulheres, durante os intervalos dos tremores, entoavam ladainhas ou atormentavam cruelmente os moribundos com cerimónias religiosas e, cada vez que a terra tremia, todos de joelhos bradavam misericórdia, com a voz mais angustiosa que imaginar se possa.» Balanço da tragédia: entre 12 a 15 mil vítimas mortais, numa população de 260 mil e mais de 10 mil edifícios destruídos. Voltaire, em Genebra, escreve impressionado Poème sur le désastre de Lisbonne.”, (extraído de texto de Maria Luísa B. Paiva Boléo)

VOLTAIRE – Poème sur le désastre de Lisbonne (1756)

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Clube de Divulgação e Defesa do Património
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5 respostas a 1 de novembro de 1755 – Terramoto em Lisboa

  1. Paula diz:

    Obrigada por mais este recordar da nossa História.

  2. Maria Florisa F.D.Candeias diz:

    A NOSSA HISTÓRIA SEMPRE PRESENTE NO CLUBE RAÍZES.
    Bom Pão por Deus para todos os meninos.
    Quando eu era menina,tinha um saquinho bordado por minha mãe que dizia: Pão por Deus.
    Era um dia de brincadeiras e de comer muiiiitos docinhos.
    Saudações de Torres Vedras para o Sr. Dr.Pedrosa Verissimo
    Beijinhos para a Escola de Paião
    Grande abracinho para a Dr.Madalena Canas
    Amiga do Clube Raízes
    Florisa Candeias

    • Obrigada pelo interesse pela História de Portugal e pelo nosso trabalho. Nela podemos procurar exemplos e analogias com o presente, e refletir sobre eles. As memórias do passado são sempre interessantes e “saborosas”, sobretudo as que nos transportam à infância e aos dias grandes em que tudo nos parecia fácil e cheio de alegria. É preciso manter esse espírito e partilhá-lo com os outros.
      Um abraço,
      Madalena Canas

  3. joana sol diz:

    que fixe adoro historia e tiro notas radiantes

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